Pessoas vieram de várias partes do estado. O exemplo disso foi o papo que bati com o pai de santo Carlos de Iemanjá e mãe Marlene de Olira, de Macaé ( região dos Lagos); que se mostravam felizes em viajar algumas horas até a zona sul para participarem da caminhada.Disseram ter participado da primeira caminhada e que estarão em todas que forem realizadas. Junto com pai Carlos e mãe Marlene vieram mais de duzentas pessoas em 4 ônibus lotados.Ao caminhar pelo meio da multidão encontrei duas professoras, Verônica e Dione (da cidade de Queimados) que juntas conversaram comigo. Vale dizer que uma é evangélica da igreja Quadrangular e outra umbandista, ambas são contra a intolerância religiosa praticada no Brasil e no mundo. Ambas disseram estar vivendo um momento perfeito em meio à caminhada.

Professoras Verônica e Dione, juntas pelo fim da intolerância.
Também de Queimados encontramos o grupo "As águas de Oxum" com seu líder Jorge Dawm ( coordenador da coordenadoria de promoção racial), que disse: "A caminhada é para todos, é para aprendermos a viver com as diferenças e acima de tudo , é um pedido de respeito".
Na nossa peregrinação conversei ainda com o presidente da união cigana do Brasil o senhor Mio Viacte que disse: "Esse tipo de manifetação mostra o livre arbítrio que temos para fazermos parte da religião que quisermos, e que esse ano a caminhada estava melhor do que a do ano passado".
A caminhada aconteceu ao som de vários grupos afros, mas em um dos quatro trios elétricos que estavam no evento tocaram os grupos Ileayê, Filhos de Gandy e Olodum. Consegui subir no trio elétrico principal e conversei com Gilson Luna ( um dos organizadores da caminhada), que faz parte do CEAP( centro de articulação da população marginalizada), que declarou: " O preconceito tende a diluir a partir dos movimentos sociais iguais a esse".Ainda no trio elétrico entrevistei "Gel", um dos músicos do Olodum, com 25 anos no grupo disse: "Movimentos como esse deveriam acontecer sempre com mais intensidade, para conscientizar o maior número de pessoas possível", afirmando categóricamente que "somos todos iguais". Pra terminar o domingo com chave de ouro, não podíamos deixar de conversar com Ivanir dos Santos, o idealizador da caminhada, que no seu segundo ano conseguiu reunir uma multidão em Copacabana. Ivanir nos contou que o sucesso da caminhada se deve a união de vários líderes religiosos que estão acima de qualquer diferença, tanto que disse ser amigo de vários pastores que ali estavam e que participaram da caminhada que contava também com mulçumanos, ciganos, católicos, espíritas e muitos outros que se juntavam em meio à caminhada. A manifestação terminou em frente a praça do Lido (posto 3) com todos juntos cantando e dançando em comemoração ao sucesso do evento.
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